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Com mais de 2 milhões de seguidores no TikTok, jovem indígena viraliza falando sobre sua cultura

Maira Gomez, jovem indígena da etnia tatuyo, faz sucesso na rede social TikTok falando da sua cultura e tradição.

Reprodução Instagram/@cunhaporanga_oficial.

A internet e as redes sociais têm nos conectado a grupos cada vez mais diferentes, coisa antes impossível de se imaginar. Essa popularização das redes sociais faz com que mais pessoas, de diferentes culturas, mostrem suas rotinas e as comunidades em que vivem, e com os indígenas não é diferente. A ideia de que as diferentes etnias indígenas são isoladas do resto do mundo é coisa do passado. O número de nativos que fazem uso regular da internet, produzem música ou se destacam nas plataformas on-line só vem crescendo.

Maira Gomez, de 21 anos, é uma dessas pessoas. Também chamada de Cunhaporanga (que significa “moça bonita”), a jovem da etnia tatuyo, no Amazonas, tornou-se sucesso no TikTok, rede social em que os vídeos curtos são a principal ferramenta da plataforma.

Com mais de 2,2 milhões de seguidores, Maira fala principalmente sobre sua cultura, as dinâmicas da sua tribo e tira dúvidas de quem a acompanha e quer saber mais sobre a vida indígena.

Temas como alimentação, plantio e cultivo da terra, pinturas corporais e língua nativa são os mais abordados pela jovem. Em um de seus vídeos, ela explica que na sua aldeia os partos são realizados por homens.

Em outro, com mais de 7 milhões de visualizações, explica que as indígenas têm o hábito de usar absorventes. Antes, segundo Maira, as mulheres usavam telas feitas com cascas de tururi, fibra retirada da fruta da palmeira ubuçu, como absorventes, e tinham que ficar dentro do quarto até a menstruação acabar. Hoje as meninas têm acesso aos absorventes comuns, mas mantêm tradições, como o ritual de passagem, quando menstruam pela primeira vez, em que são benzidas, marcando o início da fase adulta.

@cunhaporanga_oficial

As mulheres usavam telas feitas com as cascas de Tururi e ficavam dentro do quarto até a menstruação parar. ##tiktok ##tiktokindígena ##geraçãotiktok 🏹

♬ som original - Jūgoa
Em entrevista para A Crítica, Maira disse se sentir muito grata pelo incentivo e apoio de seus seguidores, que fazem questão de ajudar a compartilhar o conteúdo. São tantas dúvidas e tantas pessoas assistindo a seus vídeos, que ela já conseguiu o selo de verificação oficial, que é quando a rede social reconhece o trabalho daquele usuário e lhe fornece um selo azul, normalmente posicionado ao lado do nome da pessoa.

Outro vídeo que fez bastante sucesso é sobre cuidados com os cabelos. Segundo a jovem, sua tribo usa sabão normal para lavá-los, processo finalizado com a aplicação de babosa regularmente.

Os diferentes hábitos causam curiosidade, mas Maira não se incomoda com as perguntas e faz questão de explicar como é sua rotina.

Reprodução Instagram/@cunhaporanga_oficial.

As pinturas corporais são um atrativo para quem a acompanha, e no seu perfil ela mostra como fazer as pinturas de urucum e jenipapo, que na pele marcam o contraste entre o preto e o vermelho em linhas finas e geométricas.

A beleza das pinturas é tanta que Maira lançou um filtro para o TikTok que as imitasse.

Os principais trabalhos realizados por ela e pela sua tribo são a agricultura e o artesanato, vendidos para turistas que frequentam a região onde ficam os tatuyo, próxima a Manaus (AM). Esse dinheiro lhe possibilita acesso à internet – como que naquele local os sinais emitidos pelas torres de celular não funcionam bem, ela precisa utilizar um serviço pago para garantir que seus vídeos continuem sendo postados.










Fonte: O Segredo

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